Manter a destilação sob controle é um aspecto decisivo para aumentar a produção de etanol sem elevar a moagem.

Pequenas oscilações de temperatura, carga térmica ou retirada nas colunas, por exemplo, transformam eficiência em perda direta, invisível no curto prazo, mas extremamente relevante no fechamento da safra.

Esse comportamento instável, vale observar, continua surgindo mesmo em usinas com boa instrumentação, porque o processo é acoplado, sensível e altamente dependente de decisões manuais. Cada ajuste corrige um efeito, não a causa.

É nesse cenário que soluções inteligentes começam a fazer diferença. Quando o controle deixa de ser reativo, o rendimento alcoólico sobe, o retrabalho diminui e a planta entrega mais produto com o mesmo volume de caldo disponível.

Continue a leitura para entender como isso acontece e o que muda quando a destilação opera de maneira estável e previsível!

👉 Leia também: Evaporação instável: o impacto do desvio de Brix na eficiência da usina

O problema começa quando as colunas perdem estabilidade

A destilação trabalha em equilíbrio permanente. Assim, qualquer variação em temperatura, pressão ou composição altera o teor alcoólico no topo e no rodapé.

Essa instabilidade impacta dois indicadores críticos: o INPM (teor alcoólico expresso em porcentagem mássica) e o °GL (grau alcoólico em volume).

Quando esses parâmetros oscilam, parte do etanol escapa pelas correntes inferiores, gerando perdas na flegmaça e na vinhaça. No turno, o desvio parece pequeno. Porém, no fechamento mensal, parte da produção é perdida sem necessidade.

Onde o etanol está sendo perdido

O operador até tenta equilibrar os parâmetros, mas a interação entre as variáveis impede que um ajuste resolva o problema de forma sustentável.

A coluna “A” reage mais rápido às mudanças da fermentação. A coluna “B” absorve essas alterações com atraso. Em razão disso, o vapor nem sempre chega com a mesma estabilidade térmica e o equilíbrio entre bandejas muda de forma contínua.

Toda essa instabilidade custa rendimento industrial, mesmo quando a planta parece “rodar bem”.

Por que isso acontece no dia a dia da usina

O comportamento da destilação é altamente sensível às variações da fermentação. Se a matéria-prima chega com uma composição diferente, a coluna “A” responde rapidamente, enquanto a “B” demora alguns minutos para ajustar o equilíbrio. Até esse ponto, o processo já se desestabilizou.

Além disso, o processo térmico sofre com variações vindas da caldeira. Mudanças no vapor, mesmo que discretas, modificam o gradiente das bandejas. O operador percebe a oscilação só quando o impacto já surgiu no teor alcoólico.

Outro fator frequente é o limite do controle PID (Proportional-Integral-Derivative) comum. Cada controlador atua em apenas uma variável, sem considerar a relação entre elas. Na destilação, essa interação é fundamental.

O resultado é o mesmo em quase todas as usinas: muita intervenção e pouca previsibilidade.

O que costuma ser feito

Normalmente, a operação recorre a quatro práticas:

  1. Ajustes contínuos pelo operador: o profissional passa boa parte do turno corrigindo refluxo, retirada e vapor. Isso estabiliza por alguns minutos, mas o processo volta a oscilar, porque a causa inicial permanece;
  2. Redução da retirada para evitar fora de especificação: a estratégia reduz o risco, mas sacrifica o rendimento alcoólico. A usina entrega menos etanol do que poderia produzir;
  3. Atraso natural da intervenção manual: quando o operador reage, o desvio já ocorreu. Em sistemas acoplados, atuar tarde significa aceitar parte da perda;
  4. Operação com margens conservadoras: a calibração é feita para suportar instabilidade, não para extrair o máximo da coluna.

Destilação reativa vs destilação sob controle

Essa dinâmica mantém a destilaria funcionando, mas não elimina o núcleo do problema: a operação não está sob controle.

Como o Leaf muda esse cenário e ajuda a manter a destilação sob controle

O Leaf é uma plataforma de IA (Inteligência Artificial) da iSystems, que parte de uma premissa simples: controle reativo não sustenta estabilidade.

Por esse motivo, o Leaf atua diretamente no controle, conectado ao PLC (Programmable Logic Controller) via OPC (Open Platform Communications) comandando válvulas, bombas e outros atuadores sem depender de sugestão ou intervenção humana.

O Leaf é como um orquestrador da destilação, funcionando por meio de três recursos: FUZZY, SUNFLOWER e Modelagem Personalizada.

O FUZZY domina o comportamento multivariável da destilação. Ela antecipa tendências, entende a direção do desvio e atua antes que a variação alcance o produto final.

Na prática, o FUZZY estabiliza gradientes térmicos, pressões internas e equilíbrio entre as colunas, reduzindo perdas alcoólicas e evitando variações no INPM e no °GL.

Já o SUNFLOWER ajusta automaticamente o setpoint ideal, equilibrando pureza, rendimento e consumo de energia. Assim, ele mantém o teor alcoólico estável com menor exposição à variabilidade da fermentação.

Por último, há a Modelagem Personalizada que estrutura a condução da destilação às características de cada planta, equipamentos e estratégias operacionais.

Juntos, esses recursos transformam um processo reativo em um sistema coordenado e estável. E sem parar a planta, sem alterar o controle-base e sem exigir modelos matemáticos complexos.

Veja também: Como reduzir perdas na moenda mesmo com variação da qualidade da cana

Mais etanol sem aumentar moagem: impacto direto na vinhaça, flegmaça e no rendimento

Mais etanol sem aumentar moagem

Com o uso do Leaf no processo de destilação, usinas podem obter diversos benefícios, sendo os principais:

  • Recuperação alcoólica maior: o etanol formado na fermentação é aproveitado com mais eficiência. As perdas na flegmaça e na vinhaça diminuem porque o equilíbrio interno das colunas se mantém estável;
  • Menos retrabalho e menos correções: com INPM e °GL mais consistentes, a necessidade de redestilação e de intervenção manual diminuem;
  • Operação previsível ao longo do turno: o turno deixa de ser marcado por ajustes contínuos e passa a ter estabilidade, o que dá segurança para operar mais próximo do ponto ideal.

Quando a destilação opera sob controle avançado, a coluna “A” alimenta a “B” com mais estabilidade térmica, a pressão interna deixa de ter variações abruptas, o refluxo acompanha a tendência do processo no momento certo e a retirada segue parâmetros consistentes ao longo do turno.

Todas essas questões, juntas, reduzem perdas silenciosas, aumentam o volume final de etanol, sem exigir mais caldo disponível, e melhoram o fechamento diário de produção.

Uma destilação estável controle reduz esforço e libera a equipe para análises

Sem a necessidade de corrigir desvios minuto a minuto, o operador pode utilizar o seu tempo para acompanhar indicadores, interpretar tendências e atuar de maneira mais estratégica.

O Leaf não substitui o profissional. Ela amplifica sua capacidade de condução. Ao transformar um processo sensível em uma operação contínua e coordenada, a destilaria ganha estabilidade, rendimento alcoólico e eficiência energética.

Manter a destilação sob controle permite extrair mais etanol do mesmo volume de cana, reduzir perdas acumuladas e conduzir a planta com previsibilidade. Com uma operação estável, a usina produz mais, gasta menos e trabalha com maior segurança técnica.

Entre em contato conosco e entenda como aplicar controle avançado no seu processo e elevar o rendimento alcoólico de forma contínua e sustentável!

Assine nossa Newsletter